Mamelucos Muçulmanos do Egito e o Império Turco Otomano

 

Sultanato Mameluco Muçulmano do Egito e os Turcos Otomanos:

Os mamelucos foram guerreiros, inicialmente escravizados pelos árabes e bizantinos, que tomaram o poder no Egito, no ano de 1250, sob o comando do General Muzaffar Qutuz, que também se elegeu Sultão, no ano de 1259. O status social dos mamelucos estava acima dos escravos comuns e dos cidadãos comuns do Egito, pois tinham permissão para portar armas e realizar tarefas complexas. A religião muçulmana não permitia que os muçulmanos lutassem entre si, e nem escravizassem outros muçulmanos. Assim, a solução foi importar soldados mercenários pagãos de outras regiões, adjacentes ao Império Muçulmano. Outra solução foi treinar crianças de tribos pagãs para formarem a guarda pessoal do Califa.

Os soldados mamelucos eram mercenários que vieram de várias regiões, como por exemplo da região da Criméia (veregues), do Mar Cáspio (turcomanos), abekházios da Georgia, georgianos das Montanhas do Cáucaso, nômades cumanos da região do Rio Volga, tártaros do Uzbequistão e Cazaquistão, quipchacos das estepes da Eurásia, e os antigos mercenários seljúcidas-bizantinos. Eram convertidos para a religião do Islã, e tornaram-se principalmente soldados de cavalaria.


Com o passar do tempo, formaram uma casta militar poderosa no Egito, e também na Índia. Governaram o Egito, depois que tomaram o poder, de 1250 até 1517.

Em fevereiro de 1.250, um regimento de mamelucos, comandado pelo General Baybars, derrotou os cruzados da Sétima Cruzada, na Batalha de Al Mansurah. Posteriormente, Baybars também derrotou os cruzados do Rei da França, na Batalha de Fariskur. Nesta batalha, o rei da França, Luís IX, foi capturado e feito prisioneiro. Posteriormente, Luíz IX foi libertado, em troca do pagamento de um grande resgate. O Rei Luís morreu durante a realização da oitava cruzada, em 1270, em Tunis, no norte da África, muito provavelmente vitimado pela terrível Peste Negra. Mais tarde, o Rei Luis  IX foi santificado pelo Papa Bonifácio VIII, com o título de São Luis, em 1297.


Os mamelucos tomaram o poder no Cairo, em 1250, sob o comando do General Muzaffar Qutuz, que derrubou a Dinastia Aiúbida, que havia sido criada por Saladino Aiube. O General Muzaffar Qutuz foi aclamado como vice-sultão do Egito em 1253, e depois se tornou o Sultão do Egito, em novembro de 1259. Depois, o General Al Malik Baybars participou de uma conspiração de vários emires do Egito que levou ao assassinato do General Qutuz, durante uma caçada.

 


Mais tarde, Baybars foi aclamado Sultão do Egito, em 1260. Baybars ganhou muita força política depois que participou da Batalha de Ain Jalut, onde as forças da Mongólia foram derrotadas pelo exército mameluco do Egito. O Sultanato do Cairo durou de 1250 até 1517, quando foi derrotado pelas forças dos Turcos Otomanos, comandadas por Selim I, e cuja capital ficava na cidade de Constantinopla. 

Depois da morte do General Qutuz, em 1260, o General Baybars assumiu o cargo de Sultão do Egito, e começou a sua luta contra os Estados Cruzados do Oriente Médio. Baybars também atacou a Núbia, ao sul do Egito, e o sul da Anatólia, expandindo assim o Sultanato Mameluco. Por suas ações, Baybars foi apelidado de “O pai das conquistas”. O Sultanato Mameluco do Egito conquistou também a famosa Estrada Real, conforme podemos ver neste mapa abaixo, que mostra o seu itinerário em vermelho.

A Estrada do Rei (ou Estrada Real) era uma longa rota comercial terrestre árabe, muito usada pelos comerciantes, que iam da cidade de Resafa, na margem do Rio Eufrates, até a cidade de Menfis, nas margens do Rio Nilo.



A Estrada Real passava pela Península do Sinai, e tinha uma grande importância logística para os peregrinos muçulmanos, pois era usada para fazer a Haje, (Hajj), uma peregrinação para a cidade de Meca, no meio do Deserto da Arábia, (onde fica o templo da Caaba), durante pelo menos uma vez na vida. A estrada também passava perto do Castelo de Al Karak, na Jordânia, construído pelos cruzados, durante a existência do Reino Latino Cristão.



Os historiadores dividem a história do Sultanato Mameluco do Egito em dois períodos: O Primeiro Período foi de 1250 até 1382 e costuma ser chamado Período Baharita, por causa da Dinastia Bahri que governou o Cairo. O Segundo Período é o Burji, (ou Circassiano), e vai de 1382 até 1517. Nesta imagem à direita vemos alguns militares circassianos.

Como já foi visto, na segunda parte desta nossa trilogia histórica, os generais Qutuz e Baibars derrotaram os mongóis em 1260, na Batalha de Ain Jalut. Depois Qutuz foi assassinado, e o general Baibars assumiu o poder no Sultanato Mameluco do Egito.

Baybars conquistou todos os Estados Cruzados do oriente Médio e expandiu o Sultanato Mameluco até a região do Rio Eufrates, onde começava o Ilkhanato Mongol, dos descendentes do terrível guerreiro mongol Hulagu Khan.

Em agosto de 1266 o General Baybars lutou contra os armênios na região de Mari, na Anatólia. Os armênios eram aliados dos mongóis, a quem deviam vassalagem. Milhares de armênios foram massacrados e cerca de 40.000 foram escravizados.



No sul do Egito o general e sultão mameluco Baybars conquistou o Reino da Makouria, tomando a capital Dongola, onde fica a terceira catarata do Rio Nilo, conforme podemos ver no mapa ao lado, na esquerda.

Em abril de 1277 o Sultão Baybars marchou com suas tropas de soldados mamelucos até o Sultanato de Rum, que também era aliado dos mongóis. Naquela região da Anatólia ele travou a Batalha de Elbistan, onde ele derrotou novamente os mongóis do Ilkhanato, e as tropas do Sultanato de Rum. Mas, em julho de 1277, quando Baibars se retirava para a cidade de Damasco, ele veio a falecer, com apenas 53 anos de idade. Ele foi sucedido pelo seu filho chamado Barakah, que não tinha muita experiência administrativa. Assim, o General Mameluco Qalawun tomou o poder, sendo eleito sultão mameluco em novembro de 1279. 

No lugar de Baybars assumiu o poder do sultanato o general mameluco Qalawun que, assim como Baybars, também tinha origem Kipchak, (quipchacos), pois eram soldados vindos de uma região situada ao norte do Mar Cáspio, onde ficam as grandes Estepes da Eurásia.

Em 1281 os mongóis do Ilkhanato lançaram uma ofensiva contra a Síria, tomando a cidade de Aleppo. Isto obrigou o Sutão Qalawun a reunir o seu exército, que atacou e destruiu o exército mongol do Ilkhanato, na Batalha de Homs.


O reino do Ilkanato Mongol, que também era chamado de Reino Ilkanida, foi governado pelos descendentes do terrível General Hulagu Khan, que era neto de Genghis Khan. O reino Ilkanida dominava uma grande região, onde estavam os países do Iran, Azerbaijão, Turquia, Afeganistão e mais alguns, conforme podemos ver neste mapa do lado direito. Ao sul do Rio Eufrates o Ilkhanato fazia fronteira com o Sultanato Mameluco do Egito. Em 1295 o Reino Ilkanida converteu-se para a religião muçulmana, aceitando o Islan. Em 1330 o Ilkanato Mongol também foi atacado pela terrível epidemia da Peste Negra, e a sua população foi dizimada. Isto resultou na dissolução do Reino Ilkanida, por volta do ano 1335.

Como já vimos, o sultão mameluco Qalawun derrotou uma nova invasão dos mongóis em 1281, na Batalha de Homs. No ano de 1289 Qalawun tomou a cidade de Tripoli dos guerreiros cruzados. Qalawun faleceu em 1290, com cerca de 70 anos de idade, e recebeu o apelido de “Rei Vitorioso”.



O filho e sucessor de Qalawun foi Khalil, que tomou a cidade e o porto do Acre em 1291. Acre foi defendida pelo Marechal Cruzado Mateus de Clermont, da Ordem dos Hospitalários, que morreu na defesa da cidade. Na imagem à esquerda podemos ver o bravo guerreiro cruzado Mateus de Clermont defendendo a Cidadela do Acre.

A cidade do Acre foi o último baluarte da cristandade na região da "Terra Santa". Com a sua conquista, feita pelos mamelucos do Egito, acabou o Reino Latino Cristão no Oriente Médio, restando naquela região apenas o Sultanato Mameluco e o Império Mongol, (Ilkhanato Mongol), situado ao norte do Rio Eufrates.

Em 1299 os mongóis do norte do Eufrates já estavam convertidos para a religião do Islã, mas, mesmo assim, tentaram fazer uma nova invasão do Sultanato Mameluco, comandados pelo General Mahmud Al Ghazan. Tomaram Aleppo e saquearam a cidade de Damasco. Mas, foram derrotados, em 1303, pelo Sultão Násir Muhammad, que também era um dos filhos de Qalawun. 

Os cavaleiros cruzados tinham transferido o Reino Cristão de Jerusalém para a Ilha de Chipre, onde julgavam estar a salvo de uma invasão. Mas, em 1302 os exércitos mamelucos desembarcaram na Ilha de Chipre e a capturaram. Assim, os cruzados perderam o seu último ponto de apoio para uma possível reconquista da Terra Santa, e nunca mais puderam ter qualquer território cruzado no Oriente Médio, (também chamado de "Levante").



Os sultões do Egito estabeleceram um pacto de paz com os mongóis da Horda Dourada, em 1332. Pelo acordo de paz, os mongóis da Horda Dourada se comprometeram a fornecer escravos, para serem treinados pelos mamelucos, provenientes da região da Circássia, situada nas Montanhas do norte do Cáucaso, que ainda era uma região pagã. Isto aconteceu porque a religião do Islã proibia que um muçulmano tomasse outro muçulmano como escravo! No mapa acima podemos ver a região das Montanhas do Cáucaso, que fica entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. Nestas montanhas fica a montanha mais alta da Europa, o Monte Elbrus, com 5.642 metros, conforme vemos neste mapa do relevo daquela região, onde se encontram vários povos e países diferentes.

O Sultão do Egito, Násir Muhammad casou-se com uma princesa mongol, em 1319. An Násir organizou a grande reescavação de um canal navegável que ligava Alexandria com o Rio Nilo, em 1311. Nácir faleceu em 1341, mas, enquanto viveu, manteve boas relações com vários reinos da Idade Média, como por exemplo, com o Rei da França, o Rei Aragão da Espanha, os indianos, os abissínios, e inclusive com o Papa Católico. 


Entre 1347 e 1349, no Egito e no Oriente Médio, um outro surto da Peste Negra se espalhou novamente, tirando muitas vidas. O Cairo era a maior cidade da Região do Mar Mediterrâneo. Nesta imagem da direita podemos ver o surto de Peste Negra se espalhando pelas ruas do Cairo. Um grande surto de Peste Negra atingiu a Eurásia entre 1346 e 1352, transmitido pelas pulgas dos ratos e também pelos piolhos dos animais e das pessoas. O bacilo yercínia pestis (bactéria) se encontra nos intestinos das pulgas e dos piolhos. O tratamento convencional é feito com o uso de antibióticos, que ainda não existiam naquela época. Somente na Europa, mais de um terço da população morreu vítima da Peste Negra!

Durante esta época, no Egito, os mamelucos de origem circassiana começaram a ganhar grande importância política. Em 1377 acontece a Grande Revolta dos Militares Circassianos, contra os militares da Dinastia Bahri. Em 1382, Al Hajji, o último sultão da Dinastia Bahri foi destronado, e o Emir circassiano e mameluco chamado Maleque Azair Ceifadim Barquq (Barcuque) foi aclamado como o mais novo Sultão do Egito. 



Azair Barcuque (apelidado de Zair) fundou a Dinastia Burji, que ficou no poder entre 1382 e 1517, por cerca de 135 anos!  Os circassianos originalmente eram um povo das estepes da Eurásia que falavam a língua turca. Por isso, este último período do Sultanato Mameluco do Egito também é conhecido como período turco, (ou Circassiano). Do lado esquerdo vemos uma foto das Estepes da Eurásia, uma região onde apareceram as primeiras raças de cavalos, e onde viveram os circassianos, os seljúcidas, os mongóis, e muitos outros povos das estepes da Eurásia que deram origem aos mamelucos do Egito.

Barcuque construiu uma grande Mesquita e Madraça (colégio para estudos islamitas) no centro do Cairo, em 1386. Também fundou um Caravançarai (hotel para caravaneiros ou mercadores) e um grande mercado (bazar) no centro do Cairo. Barcuque se tornou adversário do guerreiro Tamerlão, (Khan da Horda Dourada), após este ter invadido novamente Bagdá e ter mostrado a intenção de tomar toda a Síria. Tamerlão era um guerreiro sanguinário, responsável direto pela morte de mais de 17 milhões de pessoas naquela época. Ele também foi chamado de Timur.

Após 1393 Barcuque se juntou a uma aliança organizada pelo Império Otomano. Al Zahir Barcuque foi o primeiro sultão egípcio circassiano da Dinastia Burji. Faleceu em junho de 1399, e foi sucedido pelo seu filho Nasir Alfaraje, que adotou o nome de Anácer Faraje. Abaixo vemos uma foto da grande Mesquita -Madraça de Al Zahir Barcuque, construída em 1386 no Cairo.



No ano de 1400 o grande Khan Mongol Tamerlão tomou a cidade de Aleppo, e outras cidades da Síria. Após a morte de Tamerlão, em 1405, o Sultão Al Faraje recuperou estas regiões da Síria, que haviam sido perdidas para a Horda Dourada.

Em 1403 uma grande fome assolou a população do Egito, pois as colheitas foram destruídas por uma praga, provavelmente uma infestação de ratos. Em 1405 uma nova epidemia assolou a população, muito provavelmente a volta da Peste Negra. Isto causou uma grande revolta por parte dos beduínos que desencadearam protestos até o ano de 1413.

O Sultão Al Faraje teve que abdicar do trono em 1412 por causa de uma conspiração feita por emires do Egito. No ano de 1421 o Egito foi atacado por um exército de mamelucos mercenários vindos do Reino da Ilha de Chipre. Esta ilha ainda estava controlada pelos descendentes dos antigos cruzados cristãos e por mercadores italianos.


No ano de 1422 assume o Sultanato Mameluco o Sultão Barsbay que incentivou o comércio e a economia do Egito. Barsbay incentivou o comercio marítimo com a Europa, com a sua frota navegando pelo Mar Mediterrâneo e pelo Mar Vermelho. Na imagem à direita vemos alguns navios comerciais mamelucos viajando pelo Mar Mediterrâneo. Barsbay desenvolveu o comércio das chamadas "especiarias" que vinham da Ásia. Ele obrigou os comerciantes que usavam o Mar Vermelho a descarregar as suas mercadorias no Porto de Jeddah, que era controlado pelo Império Mameluco do Egito. Barsbay também lançou uma campanha de combate à pirataria no Mar Mediterrâneo, que era feita pelos piratas de Veneza e da Espanha. Também lançou uma campanha contra a Ilha de Chipre, entre 1425 e 1426, prendendo o rei da Ilha de Chipre, por causa da sua ajuda aos piratas do Mar Mediterrâneo.
Em 1429 e 1433 o Sultão Barsbay lançou campanhas militares contra a região da Anatólia, saqueou a cidade de Edessa e a cidade de Amid. Mas, em 1438 o Sultão Al Ashra BarsBay faleceu.

Em 1444 o Sultanato Mameluco do Egito também cercou e atacou a Ilha de Rodes, onde estavam os Cavaleiros Hospitalários. Em agosto de 1444 os mamelucos desembarcaram na Ilha de Rodes, sitiaram a sua cidadela, e atacaram o Porto de Mandraqui. Mas, em setembro, os mamelucos resolveram abandonar aquela pequena Ilha.



Em 1453 o crescente Império Otomano, sob o governo de Maomé II, (apelidado de “O Conquistador), conseguiu tomar a cidade bizantina de Constantinopla, o que causou grandes mudanças na história do mundo, marcou o final da Idade Média, e desencadeou o começo da Idade Moderna, um período histórico marcado pelas chamadas “Grandes Navegações”. Nesta época, os turcos otomanos já dominavam a fabricação das primeiras armas de fogo modernas, como os arcabuzes, pequenos canhões, e os grandes canhões puxados por bois. Para bombardear as muralhas de Constantinopla eles usaram os seus grandes canhões, que disparavam grandes bolas de ferro, e apelidados de "as grandes Bombardas Turcas". Também usaram arcabuzes e pequenos canhões, com os quais conseguiram enfrentar a grande arma usada pelos soldados de Constantinopla, que era o chamado "Fogo Grego", um tipo de combustível inflamável que eles jogavam sobre os soldados inimigos.

Na imagem abaixo podemos ver a cidade de Constantinopla por volta do ano 1452, antes de ser atacada pelos turcos otomanos, com destaque para o Hipódromo. Na parte superior vemos o começo do Estreito de Bósforo, que liga o Mar de Mármora com o Mar Negro. No Mar de Mármora fica a Ilha de Mármora, que tem grandes reservas de mármore.



Em 1458 o Sultão Maomé II (Mehmed II) conquistou também a cidade de Atenas, na Grécia. Assim, em 1460 toda a Grécia e a Península do Poloponeso, no sul da Grécia, já estavam sob o domínio dos turcos otomanos.

A partir de 1480 a disputa pelo poder no Oriente se concentrou nos exércitos dos mamelucos do Egito e nas forças turcas do crescente Império Otomano. A Batalha de Urfa, em agosto de 1480, entre as tropas mamelucas e as tropas turcas da região da Anatólia, foi a primeira grande batalha entre mamelucos e os turcos otomanos, onde os mamelucos foram derrotados. Nesta ocasião os turcos usaram canhões e mosquetes modernos.




Os soldados mamelucos ainda não haviam adaptado a sua cavalaria com as armas modernas, e preferiam combater com armas antigas, como podemos ver na imagem ao lado, onde aparece um arqueiro, um lanceiro e um soldado da infantaria, armado com uma espada.
Por isso, levaram desvantagem contra as modernas armas de fogo dos turcos otomanos.


Entre 1485 e 1491 aconteceu a Grande Guerra Mameluca-Otomana. Em 1485 o Império Otomano, (fundado inicialmente por Otoman, em 1280), resolveu invadir o grande Sultanato Mameluco da Anatólia e da Síria. Houve várias escaramuças até que finalmente um Tratado de Paz foi assinado, em 1491.

Este importante Tratado de Paz, entre turcos e mamelucos, permitiu que o Sultanato Mameluco do Egito tivesse mais tempo para combater o crescente poder de Portugal nos mares das costas da Índia e no Mar Arábico. Assim, aconteceu a Guerra Naval Mameluca-Luso-Egípcia que começou em 1505 e foi até a queda do sultanato do Egito, em 1517.

O Mapa abaixo mostra o grande tamanho do Império Otomano já por volta de 1481. As datas apresentadas em azul mostram o período das conquista otomanas. Notem que até 1517 o grande Sultamato Mameluco do Egito, que aparece na cor verde, ainda não tinha sido anexado ao Império Otomano, mas, os otomanos já tinham conquistado muitas terras na Europa, tais como vários territórios na Bulgária, Grécia, Romênia, Bessarábia, Moldávia, Hungria e na Bósnia.



O sultanato mameluco era o principal intermediário entre as regiões asiáticas produtoras de especiarias e os compradores venezianos do Mar Mediterrâneo, que usavam o Porto Egípcio de Alexandria. Os venezianos vendiam as especiarias na Europa com grandes lucros, mas, nesta época, os portugueses já estavam oferecendo especiarias com preços menores.

Em março de 1508, a frota naval portuguesa e a frota mameluca egípcia travaram a Batalha de Chaul, perto do Porto de Chaul, na foz do Rio Chaul, no litoral da Índia. No comando da frota portuguesa, com 8 navios, estava Dom Lourenço de Almeida, filho do Vice-Rei do Reino Português das Índias. No comando da frota mameluca estava o Almirante Amir Husain Kurdi e o Governador de Diu, Maleque Az, um mameluco de origem russa. Lourenço foi ferido duas vezes por flechas no rosto e morreu. Assim, esta frota portuguesa foi derrotada.



Em fevereiro de 1509 os portugueses e os mamelucos travaram a famosa Batalha de Diu, no litoral de Calecute, na Índia. Ao lado da frota do Sultanato Burji do Egito estavam forças navais do Zamorim de Calecute, da República de Veneza, (que já havia rompido relações com Portugal), Império Otomano, e algumas outras forças navais.

No comando da frota portuguesa, com 18 navios, estava Dom Francisco de Almeida, que queria vingar a morte do seu filho Lourenço, que tinha acontecido na Batalha de Chaul. A frota mameluca era composta por 12 navios de grande porte e vários barcos pequenos, sob o comando de Amir Husain Kurdi, (também chamado de Mirocem). Na imagem acima, do lado esquerdo, podemos ver a Batalha de Diu, sendo comandada pessoalmente por Dom Francisco de Almeida.

A grande nau portuguesa " Flor do Mar" ancorou na entrada da foz do Rio de Calecute e disparou mais de 600 tiros de canhão para destroçar as pequenas embarcações de Amir Husain. Os outros navios portugueses bombardearam os grandes navios mamelucos, e terminaram de afundar todos eles, quando já estava anoitecendo. Nesta foto abaixo vemos alguns canhões usados pelos portugueses no começo do SéculoXVI.



Esta importante vitória naval portuguesa, contra a frota da aliança muçulmana com a República de Veneza, marcou o começo do domínio de Portugal nos mares asiáticos e no comercio das especiarias orientais. As especiarias passaram a ser encaminhadas para o porto do Cabo da Boa Esperança, na África do Sul, e Portugal passou a controlar vários portos importantes do Oriente, tais como Goa, Ceilão, Estreito de Ormuz, Bombaim, Malaca, Mombaça, Colombo e Mascate.


Finalmente, em 1516, os turcos e os mamelucos entram em guerra novamente, e começou a Segunda Guerra Otomana-Mameluca. Em 24 de agosto de 1516 os dois impérios travaram a Batalha de Marj-Dabiq, perto da cidade de Dabiq, na Síria. Os otomanos usaram armas de fogo modernas e venceram aquela batalha, ganhando assim o controle sobre a Síria. Nesta batalha foi morto o Sultão Axerafe Cançu Algauri, do Egito.



Nesta foto do lado esquerdo vemos um canhão otomano, que era considerado uma arma moderna naquela época.

A seguir, o exército do Império Otomano partiu rumo ao sul, para conquistar o Egito, liderados pelo Grão Vizir Hadim Sinan Pasha. As forças mamelucas do Egito estavam sendo comandadas pelo General Janbirdi Al Ghazali, que liderava a cavalaria dos combatentes mamelucos. Assim, eles travaram a Batalha de Yaunis Khan, em 28 de outubro de 1516, onde o general mameluco Al Ghazali foi derrotado, saiu ferido, e o exército dos turcos otomanos venceu a batalha novamente.



Finalmente, em janeiro de 1517 as forças otomanas, com armas de fogo modernas, e lideradas pelo Sultão Selin I, travaram a importante Batalha de Ridaniya, nas portas da cidade do Cairo. Nesta batalha o General Al Gazali foi morto, e o novo sultão, que tinha sido eleito, Axerafe Tuman Bay II, foi feito prisioneiro. Mais tarde, o Sultão Tuman Bay II foi enforcado, e morreu no alto do portão principal da cidade do Cairo.

Os otomanos ainda permitiram que os mamelucos permanecessem como a classe dominante no Cairo, como vassalos dos turcos otomanos, mas o poder principal foi transferido para a cidade otomana de Constantinopla, na Anatólia.



A partir deste período, que marcou o final da Idade Média e começo da Idade Moderna, o poder no Sultanato Mameluco do Egito começou a mudar, alternando sultões egípcios e otomanos, até que o Egito acabou totalmente incorporado pelo Império Otomano do Sultão Selim I. Nesta imagem ao lado vemos navios otomanos navegando pelo Estreito de Bósforo, na frente da cidade de Constantinopla.



Depois da morte de Selim I, em 1520, assumiu o poder no Império Otomano o seu filho, chamado de Suleiman I, o "Magnífico", (Solimão I), que reinou durante 46 anos.


História e crescimento do Império Turco Otomano:


Osman Gazi (ou Otomão) foi um líder tribal turco que herdou um pequeno reino, no meio do Grande Império Seljúcida, em 1280, tornando-se chefe (Bei). Em 1301 travou e venceu a Batalha de Bafeu, contra uma força bizantina enviada para combatê-lo.




Osman fez amizade com o líder religioso dos Dervixes (sacerdotes), que lhe ofereceu sua filha, chamada Malhuna Hatuna, em casamento, e como forma de firmar uma aliança política. Ao lado vemos uma estátua de Kameriye Malhuna Hatuna, que foi a segunda esposa do líder turco Otoman Gazi.
Assim, Osman (ou Otoman) casou, teve filhos, e depois criou a chamada Dinastia Otomana, que deu origem ao Grande Império Otomano, que existiu durante muito tempo, até o Século XX.
O Império otomano durou mais de 600 anos. e só acabou no Século XX, depois da Primeira Guerra Mundial, em 1923, depois que a República da Turquia foi proclamada.




Abaixo vemos um mapa do começo do Emirado Otomano, entre 1281 e 1324. A parte em vermelho representam as conquistas territoriais feitas pelo guerreiro Osman Gazi.

A última campanha militar de Osman foi contra a cidade de Bursa, que pertencia ao Império Bizantino, e aparece neste mapa abaixo. Bursa transformou-se na capital do Beilhique (Emirado) Otomano. Segundo alguns historiadores, a morte de Osman aconteceu em 1323, quando ele passou o Emirado Otomano para o seu filho chamado Orcano.


Orcano foi o segundo Bei (chefe) do Beilhique Otomano (Emirado), e governou de 1323 até 1359, com o título de Bei Gazi. Seu sucessor foi Murade I, que foi o primeiro líder do Emirado Otomano a levar o título de Sultão, quando o Emirado Otomano já tinha sido bem expandido, (em 1383). 

Murade I reinou durante 30 anos, e foi o governante que expandiu de fato o Império Otomano, tornando-o um império transcontinental.

Murade conquistou a cidade de Adrianópolis e fez dela a sua nova capital. Em 1.375 Murade I transformou a cidade de Constantinopla em vassala e tributária do Império Otomano. As terras pertencentes à Grécia, que ele conquistou, passaram a se chamar Província da Rumélia.

Murade também capturou a cidade de Sofia, capital da Bulgária, em 1384. Em 1388 conquistou a Macedônia, e transformou a Sérvia em vassala e tributária dos turcos otomanos, no ano de 1389. Murade I fez reformas administrativas, e dividiu o Império Otomano em apenas duas partes: Anatólia, na parte asiática, e Rumélia, na parte européia. 



Os órfãos das guerras, e que eram capturados, foram educados como turcos muçulmanos, e treinados para serem os soldados do Corpo Militar dos Janízaros. Com o passar do tempo, os janízaros tornaram-se a elite do exército otomano e a elite dos servidores públicos do Império Otomano. Ao lado vemos os soldados janízaros atirando com os seus mosquetes.



Murade I faleceu em junho de 1389, após preparar o caminho para a conquista final do antigo Império Romano do Oriente. Seu filho foi Bajazeto I, que expandiu as fronteiras ainda mais, em direção da Foz do Rio Danúbio, na Romênia, por volta de 1396. 

Prevendo uma catástrofe iminente, os moradores de Constantinopla começaram a abandonar a cidade, fugindo para Moscou e para a Grécia. Inclusive, o próprio Imperador Bizantino João VII Paleólogo, em 1402, resolveu abandonar a cidade. Mas, no ano de 1402 aconteceu um milagre, quando o guerreiro mongol Tamerlão invadiu o Império Otomano e derrotou o Sultão Bajazeto, em 20 de julho de 1402, na Batalha de Ancara.



Tamerlão era um guerreiro mongol sanguinário que usava o terror para conquistar suas batalhas. Durante a sua juventude Tamerlão foi ladrão de ovelhas, e seus primeiros ajudantes militares foram os ladrões que tinham sido seus comparsas. Alguns historiadores dizem que ele foi o responsável direto pela morte de 17 milhões de pessoas! Sua família era agregada do Kanato de Chagatai, um dos quatro reinos mongóis originados da desagregação do Império Mongol de Genghis Khan. Do lado direito vemos uma imagem de Tamerlão.

Tamerlão nasceu em um mundo onde a liderança não era herdada, mas sim, conquistada e mantida pela força e pela coragem, e onde o uso da misericórdia era considerado um sinal de fraqueza! Na conquista da cidade de Ancara o Sultão Bajazeto foi feito prisioneiro e colocado numa jaula, para desfilar pelas ruas da cidade, por ordem de Tamerlão!

Em 1404 Tamerlão planejou invadir a China, mas morreu antes, em 1405, na cidade de Otrar, depois de 3 dias de bebedeiras, antes de conquistar a China, para onde já estava se dirigindo.

Assim, os turcos otomanos pararam um pouco de tentar conquistar Constantinopla, que teve mais 3 imperadores, até a sua conquista definitiva, em 29 de Maio de 1453. O último Imperador de Constantinopla foi  o Imperador Constantino XI Paleólogo.




Finalmente, sabemos que o conquistador da cidade de Constantinopla foi o Sultão Muçulmano Fatih Mehmed II (Maomé II), que tinha apenas 21 anos quando derrotou o Imperador  Constantino XI Paleólogo, e fez daquela cidade a capital central do seu império. Com esta importante conquista Mehmed II foi apelidado de “O Conquistador”. Na figura acima podemos ver Maomé II junto com suas tropas e os grandes canhões que ele usou para conquistar Constantinopla, em Maio de 1453.



O Sultão Fatih Mehmed subiu ao trono em 1451, com apenas 19 anos, e realizou algumas campanhas de conquistas na região européia dos Balcãs.
Depois de conquistar a cidade de Constantinopla, o Sultão Mehmed tentou conquistar a cidade de Belgrado, em 1456, mas o cerco não deu certo, o que causou a paralisação do expansionismo turco pela Europa Central. Mehmed também fundou diversas universidades e colégios na cidade de Constantinopla, alguns dos quais ainda estão em funcionamento. Ele faleceu em maio de 1481, em Constantinopla.
Na figura à esquerda vemos a pintura de um guarda otomano do palácio do Sultão Mehmed.

Mehmed foi sucedido por Bajazeto II, que reinou de 1481 até 1512. Em 1492 Bajazeto enviou para a Espanha (Andaluzia) uma frota de navios do Almirante Quemal Reis, para recolher os judeus e mouros muçulmanos, que haviam sido expulsos da Espanha pelos reis Fernando e Isabel, para os conduzir até as terras do Império Turco Otomano.

Depois que retirou os muçulmanos da Península Ibérica, o Sultão Bajazeto falou esta frase, que ficou famosa naquela época: “Não considero o rei Fernando II de Aragão uma pessoa inteligente, pois empobrece o seu país e enriquece o meu!”. 

Quemal Reis (Kamal Ali) foi corsário e um grande Almirante Naval do Império Turco Otomano. Quemal foi o inventor dos canhões navais de longo alcance. Entre 1490 e 1492 transportou muçulmanos e judeus, expulsos e fugidos da Espanha, para outras províncias do Império Otomano. Em seguida, como represaria, bombardeou os portos de Elche, Almeria e Málaga.



O Sultão Bajazeto II nomeou Quemal Reis como almirante chefe da frota de navios turcos no Mar Mediterrâneo. A frota turca sob o comando de Kamal Ali (Quemal Reis) passou a ser composta por cerca de 67 galés, 20 galeotas, e cerca de 200 navios menores. Nesta figura à direita podemos ver uma ilustração do Almirante Otomano Quemal Reis.

Com esta sua grande frota naval o Almirante Quemal Reis iniciou uma guerra naval contra a República de Veneza, a qual venceu. Quemal Reis morreu no Mar Mediterrâneo durante um naufrágio, no início de 1511, junto com a tripulação de 27 navios comerciais, por causa de uma grande tempestade. 

O sobrinho do Almirante Quemal era Piri Reis, que viajou com seu tio e desenhou vários mapas e cartas náuticas que ficaram famosas, durante a Idade Moderna. Durante o sultanato de Bejazeto II aconteceu o Grande Terremoto, em 1509, que devastou a cidade de Constantinopla. Bejazeto abdicou do seu sultanato em favor do seu filho, Selim I. Selim I foi o primeiro a usar o título de Califa do Império Otomano.

Selim I foi Califa do Império Turco Otomano entre 1512 e 1520. Conquistou a Síria, o Egito, e grandes áreas em volta do Mar Vermelho. Na véspera da sua morte, em 1520, o Império Otomano havia triplicado de tamanho.

Em 1515 os portugueses passaram a controlar o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico. Já no Extremo Oriente, os navegadores portugueses continuaram o seu progresso, explorando o sudeste da Ásia, tendo chegado à China já em 1513.



Por volta de 1516 o Califa Selim I lançou um grande ataque contra o Sultanato Mameluco do Cairo e vários combates foram travados. Selim I usou nestes combates a elite militar dos janízaros portando os famosos arcabuzes, que eram armas de fogo portátil, do tipo bacamarte. Em Portugal, os arcabuzes já eram usados, e foram chamados de espingardas.

Foi na Batalha de Marj Dabiq, perto de Gaza, em 24 de agosto de 1516, onde morreu o Sultão Mameluco do Cairo, chamado Axerafe Cançu Al Ghauri. Esta batalha foi decisiva para a vitória dos Turcos Otomanos. Depois desta batalha, a Síria saiu do domínio dos mamelucos do Egito e caiu para o domínio dos turcos otomanos. Na imagem acima vemos o Califa Selim I em 1517, durante a sua campanha para a conquista do Sultanato Mameluco do Egito.

Finalmente, na frente da porta da cidade do Cairo aconteceu a Batalha de Ridaniya, em janeiro de 1517, onde os turcos otomanos capturaram o Califa Abássida Mutavaquil III, (líder religioso), e saquearam a cidade do Cairo. O Sultão do Egito, Axerafe Tumã Bay II, foi enforcado no portão principal de entrada da cidade do Cairo!

A tomada do Cairo foi fundamental para abrir caminho para as forças militares otomanas conquistarem territórios no norte da África. As cidades árabes de Meca e Medina também se renderam às forças militares otomanas, tornando-se vassalas. No mapa abaixo vemos a maior extenção territorial que o Império Otomano alcançou, por volta do ano 1560, durante o reinado do Califa e Sultão Solimão, "O Magnífico":



O pirata naval e almirante otomano Barba Ruiva, durante o sultanato de Solimão I, estabeleceu uma base naval na cidade de Tunis e, mais tarde, em 1532, concretizou a conquista da Tunísia. As vitórias navais de Barba Ruiva asseguraram o domínio otomano sobre o Mar Mediterrâneo, prejudicando o lucrativo comércio das chamadas “especiarias”, que vinham das terras distantes da Ásia, em direção aos mercados consumidores europeus.

O cartógrafo Piris Reis, depois que virou almirante do Califado Otomano, teve um péssimo destino, pois perdeu uma importante batalha naval contra a Marinha Portuguesa, no norte do Golfo Pérsico. Como consequência, sua derrota naval não foi perdoada, e ele morreu decapitado, em 1553, por ordem do Califa Otomano Solimão I, o Magnífico.



Solimão I, ou Suleyman I, reinou como Califa do Islã e Sultão do Império Otomano, durante 46 anos. Sob o seu reinado a marinha otomana dominou o Mar Mediterrâneo, o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico. Foi adepto do humanismo renascentista e transformou Constantinopla num grande polo artístico e cultural.

Suleyman também criou várias leis inovadoras para aquela época, como por exemplo, a promoção dos funcionários públicos por mérito, e não por parentesco.

Solimão I (Suleyman) conquistou a Ilha de Rodes, em 1522, e permitiu que os Cavaleiros Hospitalários se transferissem para a Ilha de Malta. Também liderou pessoalmente a conquista da cidade européia de Belgrado, na Hungria, em 1521, e o cerco da cidade de Viena, na Áustria. Sob o seu reinado o Império Otomano conquistou grandes extensões de terras no norte e oeste da África, como por exemplo a conquista da Argélia. Ele também empreendeu três grandes campanhas militares contra a Pérsia e ordenou a reconstrução das muralhas de Jerusalém. Solimão faleceu em 1566, durante uma batalha na Hungria, e o seu corpo foi sepultado na Mesquita de Solimão, em Constantinopla.

Nesta imagem acima, do lado esquerdo, podemos ver uma estátua de cera de Suleyman I, o Magnífico, que está guardada em um museu da cidade de Istambul, na Turquia.

O Califa Suleyman reinou durante um período em que o Império Otomano atingiu o apogeu do seu poder militar, político e econômico, no Século XVI.


Suleyman foi casado com Roxelana Solymanni, com a qual teve uma filha e quatro filhos. O nome verdadeiro de Roxelana era Aleksandra Lisowska, pois ela era uma ex-concubina russa, a favorita do seu harém particular. Na figura ao lado vemos uma pintura retratando Roxelana.

Seu filho, chamado Selim, também foi sultão otomano, após a morte do seu pai. Roxelana teve uma grande influência política no reinado de Suleyman, pois influenciava nas decisões administrativas do império.

Suleyman e Roxelana foram sepultados juntos em um mausoléu que fica na grande Mesquita de Solimão. A Mesquita de Solimão fica em Istambul, na região do Estreito de Bósforo, que separa a Europa da Ásia. Foi concluída em 1557 pelo arquiteto chamado Koca Minar Sinan, e possui outras instalações importantes, como quatro escolas, uma faculdade de medicina, e um refeitório público destinado aos pobres.


No grande território do Império Otomano o idioma turco era a língua oficial e a religião dominante era o islamismo. Apesar de outras religiões serem aceitas, os praticantes das religiões não oficiais recebiam tratamento diferente, sendo obrigados a pagar impostos específicos e dificilmente chegavam a ocupar cargos importantes.


Nesta figura à esquerda podemos ver como era a vida em um harém do sultão otomano. Geralmente as concubinas eram obrigadas a dar descendentes para os sultões, principalmente aquelas que eram suas esposas favoritas. A administração do harém ficava a cargo das mães dos sultões, que impunham regras rígidas que tinham que ser obedecidas por todas as esposas e escravas.

 

A longevidade do Império Otomano pode ser atribuída ao forte poderio militar e, em larga escala, pela tolerância com as tradições dos povos dominados. Neste ponto deve-se salientar que a tolerância era de interesse da elite dominante, uma vez que os praticantes de outras religiões eram obrigados a pagar impostos, dos quais os mulçumanos estavam isentos, aumentando assim a arrecadação do Império Otomano.

À medida que o século XVI avançava, a superioridade naval Otomana foi desafiada pelo emergente poder marítimo da Europa Ocidental, particularmente na costa do atual Marrocos, no Golfo Pérsico, no Oceano Índico e em ilhas da atual Indonésia, como as ilhas das Especiarias. Com os otomanos bloqueando as rotas marítimas para o Oriente, as potências europeias foram impulsionadas a encontrar um outro caminho para a seda e as rotas das especiarias, agora sob o controle dos otomanos. Isto impulsionou o Período das Grandes Navegações, onde Portugal e Espanha tiveram um papel de destaque, num primeiro ciclo histórico, que resultou na "redescoberta" da América. Nesta imagem abaixo vemos a cena de uma cidade do Oriente Médio, que mostra um pouco como era o tipo de vida que as pessoas levavam naquela época, durante a Idade Média:



Espero que tenham gostado desta terceira e última parte desta minha trilogia histórica ilustrada que mostrou todos os principais Impérios Islamitas e Muçulmanos, que existiram no Oriente Médio e na Ásia, durante o Período da Idade Média. Na primeira parte da trilogia, mostrei o surgimento do Islamismo, criado por Maomé, em parceria com sua esposa Khadija, uma viúva rica, e com a qual ele teve 6 filhos: dois filhos e quatro filhas. Mostrei também as primeiras conquistas territoriais de Maomé e o crescimento do Império Árabe. Na segunda parte da trilogia mostrei o nascimento do Grande Império Seljúcida, com capital em Damasco, e a perda do seu poder para a Dinastia dos Abássidas, com capital em Bagdá. Também falei sobre a Sociedade Feudal Árabe e Europeia da Idade Média, do poder crescente da Igreja Católica na Europa, do movimento das Cruzadas, da grande invasão das tribos mongóis de Ghengis Khan, e até da terrível Peste Negra. Nesta terceira e última parte histórica mostrei o surgimento e declínio do Império Mameluco Muçulmano do Egito, e o crescimento do grande Império Turco Otomano na Península da Anatólia. Mostrei também a tomada das cidades de Constantinopla e da cidade do Cairo, em 1517, pelos turcos otomanos, que aperfeiçoaram as primeiras armas de fogo.

Fiquem agora com esta última imagem abaixo, que mostra a grande extensão das estepes da Eurásia, em azul claro, uma região na qual apareceram as primeiras raças de cavalos e viveram as primeiras tribos de mongóis e mamelucos, e que tanto enriqueceram a história da humanidade, durante a Idade Média, provocando grandes batalhas e várias lutas pelo poder nos reinos e impérios dominados pela Fé Islâmica. As estepes começam no Noroeste do Mar Negro e se prolongam pela Ásia, indo até bem perto do Mar do Japão, mostrando a sua relevância como um importante bioma do nosso Planeta Terra.

Um grande abraço para todos! Norton Kornijesuk.













Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

História do Antigo Império Árabe Islamita

Império Seljúcida Islamita e as invasões das Cruzadas e dos Mongóis